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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Economia Verde


Tornou-se recorrente no mundo a preocupação em estabelecermos formas sustentáveis de produção.

As lideranças mais responsáveis sejam elas oriundas da administração pública, do meio empresarial ou do terceiro setor, não divergem sobre a necessidade de continuarmos a gerar atividade econômica que permita garantir a sobrevivência de um planeta que passará dos atuais 7 bilhões de habitantes para a casa dos 9 bilhões em um horizonte inferior a 30 anos. Aliás, 2010 representou um marco no qual pela primeira vez na história da humanidade a população urbana superou a população rural. Isso quer dizer que cada vez mais teremos menos pessoas no campo e mais bocas para alimentar nas cidades.

Esse fato, nos faz refletir sobre o papel da agricultura de uma maneira totalmente inovadora. Não podemos mais encarar o alimento como algo para saciar a fome. Na verdade, ele é fonte de geração de energia para cada uma das máquinas maravilhosas que o ser humano representa.

Assim posto, o assunto relativo a produção agrícola dará chance para que, o chamado terceiro mundo, localizado via de regra abaixo da linha do Equador, seja o grande fornecedor daquela que será a mercadoria mais rara, e por isso mesmo muito cobiçada, pelas economias desenvolvidas: energia sustentável.

Por isso, entendo não haver dilema entre a produção de alimentos e de biomassa, afinal, tudo converge para o mesmo ponto. O Brasil tem dado demonstração de que é capaz de produzir um biocombustível da qualidade do etanol que representa apenas 11% das emissões de gases de efeito estufa da gasolina – um ganho tão evidente que fala por si – porém, usando apenas 1% de sua área agricultável com o plantio de cana de açúcar.

Cai por terra, os argumentos dos adversários do país no plano internacional que levaram anos tentando satanizar o biocombustível brasileiro disseminando mentiras e bobagens como por exemplo: a ocupação da Amazônia com o plantio de cana. A propósito, a única destilaria que ousou desafiar a lógica técnica daquela região, fechou suas portas.

O Brasil tem se revelado tão competitivo em matéria de agronegócio que vem gerando o sentimento em seus concorrentes de que precisam reagir, e eles tem feito isso de várias maneiras, inclusive com a novidade mais discutida do momento que são as chamadas barreiras de responsabilidade sócio ambiental. Tais barreiras, superam em muito a eficiência das chamadas barreiras alfandegárias ou sanitárias.

Estas, o Brasil descobriu a fórmula de contestar em fóruns internacionais como, por exemplo, a OMC – Organização Mundial do Comércio – ou a OIE – Organização Mundial de Saúde Animal . Já essas novas restrições são difusas e disseminadas diretamente entre os consumidores desses países, gerando pressões contra a aceitação de nossos principais produtos, seja nas cadeias de produção animal ou vegetal, com acusações de que o Brasil como um todo, descumpre legislação ambiental, trabalhista e social.

Somente quem conhece profundamente o cenário das nações, pode avaliar o quanto tais acusações são injustas.

Para não irmos muito longe, basta lembrar que a Europa desmatou quase todo o seu território, assim como os Estados Unidos, e que a China não é exatamente uma “referência” no que tange as relações de trabalho e respeito aos direitos humanos.

Falta portanto autoridade moral para colocar o Brasil neste corner.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Código Florestal

Código Florestal

Asssistimos nas últimas semanas a um dos mais importantes debates para o futuro do nosso país.
A votação do código florestal por si só, pode ser considerada um avanço. Afinal, as leis que tinhamos sobre o assunto formavam uma verdadeira colcha de retalhos ora resvalando para a dubiedade e em outras oscilando entre o rigor excessivo (que desemboca no descumprimento, ou a frouxidão, que incentiva a impunidade).
Diante disso a clara definição de regras vai nos permitir projetar de maneira mais segura o futuro.
É evidente que existem excessos como é o caso da chamada emenda 164 que corre o risco de acobertar ilegalidades ao isentar de punição todo e qualquer tipo e porte de exploração.
Por outro lado, há inúmeros ganhos. O primeiro é a proteção a agricultura familiar dando a chance de uma sobrevivência no campo a milhões de produtores que de outra forma viriam engrossar a legião de verdadeiros refugiados que durante décadas se formou nas periferias das grandes cidades.
Ganha a sociedade na medida que cria formas de cadastrar e fiscalizar cada empreendimento produtivo, e aqui não estamos somente a falar de agricultura, embora esta esteja sob o foco, devemos nos lembrar também da mineração, da indústria e de todos os setores que ocupam o território nacional.
As obrigações criadas ou reenfatizadas pelo novo código, parecem mais próximas da realidade e portanto alcançáveis. Todos sabemos que quando isso acontece, há uma maior disposição de todos para buscar tais metas.
É inegável que temos hoje um país abastecido, que produz fartamente para o nosso consumo além de gerar admiráveis excedentes de comida para a exportação.
Não podemos ser ingênuos. Não existe espaço para debate ambiental num país de famintos.
Se ainda temos pessoas na extrema miséria, a culpa é da má distribuição da renda e não da eventual ineficiência da produção.
Portanto, devemos celebrar e diria até mesmo comemorar a evolução de um assunto na esfera política – a mesma que criticamos habitualmente pela falta de conteúdo - pelo fato de que o Brasil não pode ficar sendo comandado de fora por países que não tem condições morais de falar em meio ambiente e sim ter a capacidade de se colocar no mundo como um extraordinário produtor de alimentos com alta tecnologia mas se constituindo na forma mais sustentável de desenvolvimento.

Claudia Cataldi é jornalista e apresentadora do Programa Responsa Habilidade
claudiacataldi@responsahabilidade.org.br